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Cronologia da Crise:

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16/05/2006

Lenha na fogueira. O jornal O Estado de S. Paulo entrevista Carlos Rodenburg, ex-diretor do grupo Opportunity. Ele afirma à repórter Sonia Racy que sentiu “uma pressão para ajudar o partido”, durante encontro mantido com o ex-tesoureiro do PT, Delúbio Soares. Sem usar a expressão “extorsão”, Rodenburg descreve que Delúbio, em nome de um esforço para melhorar a relação entre o Opportunity e o governo Lula, explicou as dificuldades do PT e mencionou um “furo” de US$ 40 milhões a US$ 50 milhões nas finanças do partido.

Rodenburg e Delúbio encontraram-se duas vezes no primeiro semestre de 2003. No Hotel Blue Tree, em Brasília, e num apart-hotel em São Paulo. Rodenburg garante: o dinheiro não foi pago. O Opportunity queria o apoio do governo Lula para manter o controle da Brasil Telecom. O primeiro encontro com Delúbio foi um pedido do diretor do Opportunity, agendado por Marcos Valério. A segunda reunião foi solicitada por Delúbio, por sugestão de Valério.

As palavras de Delúbio, segundo Rodenburg:

– Ele disse o seguinte: “Olha, Carlos, estamos com dificuldades financeiras muito grandes, com um furo de caixa de US$ 40 a US$ 50 milhões. O PT está com esse furo e tem que se ajustar”. Sobre a segunda reunião:

– No segundo encontro, desta vez pedido por ele, eu disse que não era possível ajudar. Acho que não agradei.

– E aí?

– Aí, os fatos falam por si só.

– O senhor considerou essa conversa com Delúbio uma extorsão?

– Não, senti como uma pressão para ajudar o partido.

– Foram essas as únicas vezes que vocês tiveram contato com a campanha do PT?

– Teve uma terceira vez. Um dia, no escritório do Opportunity em São Paulo, fui informado de que um tal de Ivan Guimarães queria falar comigo. Não tinha marcado encontro, não foi indicado por ninguém. Me trouxe o que, vim a saber depois, era um kit de contribuição do PT, com uma fita do Lula, um broche e uma caneta dentro de uma caixa. Achei estranho, disse que concessionária de governo não pode contribuir.

A CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) divulga nota em defesa de uma reforma política para reverter o quadro de corrupção “endêmica” no país, a fim de que haja meios para o Brasil sair do “tradicional círculo vicioso da corrupção”.

De acordo com a CNBB, a reforma política precisa ser “capaz de proporcionar uma estrutura de maior participação popular nas eleições, que controle o poder econômico e bloqueie a corrupção”.

A Igreja Católica pede “novos caminhos” e alerta os eleitores para que fiquem atentos a políticos “cujas plataformas camuflam interesses particulares”. Denuncia os “oportunistas”, políticos que “são sustentados por campanhas financeiras vultosas”.

Para a CNBB, esses políticos “não têm escrúpulos em reproduzir o esquema de corrupção eleitoral”, o que cria um cenário de “desencanto e decepção” com a vida política.

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