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Cronologia da Crise:

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17/05/2006

O Ministério Público denuncia o empresário e ex-segurança Sérgio Gomes da Silva, o Sérgio Sombra, o ex-secretário da Prefeitura de Santo André (SP) e ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT), o ex-superintendente da Semasa (Serviço Municipal de Saneamento Ambiental) Maurício Mindrisz e o empresário Ronan Maria Pinto, cujas empresas mantinham negócios com o município. Todos são acusados por crimes de formação de quadrilha, fraude e dispensa ilegal de licitação.

De acordo com a denúncia, os quatro atuaram em parceria com o prefeito Celso Daniel (PT), para desviar recursos públicos. Formavam “quadrilha organizada estável”, com o objetivo de “cumprir como meta estabelecida um mega-esquema de corrupção”.

Para os promotores, Sombra, mesmo sem ocupar cargo na Prefeitura, exercia grande influência na administração pública. O esquema favorecia Ronan, dono de empresas de transporte, coleta de lixo e engenharia, que mantinham contratos com a gestão municipal.

Uma dessas empresas, a Rotedali, foi contratada 12 vezes para executar serviços de limpeza, varrição e manutenção de aterro sanitário, em transações que envolveram cerca de R$ 50 milhões. Parte do dinheiro teria alimentado o caixa 2 do PT. Dos 12 contratos, dez foram celebrados sem licitação. Destes, cinco acabaram contestados pela Justiça e pelo Tribunal de Contas do Estado. Sombra foi sócio de Ronan em negócios com empresas de ônibus em Fortaleza e Cuiabá.

Trecho da denúncia dos promotores Amaro José Thomé Filho, Adriana Ribeiro Soares de Morais e Roberto Wider Filho:

“Sérgio, aproveitando-se de seu prestígio junto à administração, idealizou com Daniel a formação da sociedade delinqüente e era um dos destinatários dos recursos ilícitos. Foi tesoureiro de campanha eleitoral de 1996. Arrecadou diretamente parte do dinheiro, que foi depositado na sua conta corrente.”

Indiciado Waldomiro Diniz. A decisão é do delegado Milton Olivier, da Delegacia de Repressão às Ações Criminosas do Rio. Waldomiro foi subchefe de assuntos parlamentares do Ministério da Casa Civil, um dos principais assessores do ex-ministro José Dirceu (PT-SP). Divulgada a gravação em que apareceu pedindo propina ao empresário de jogo Carlinhos Cachoeira, saiu do governo. É acusado por formação de quadrilha, peculato e corrupção passiva. Cachoeira e o ex-deputado Carlos Rodrigues (PL-RJ) também são indiciados.

Em 2002, Waldomiro, presidente da Loterj, a estatal de loterias do Rio, pediu a Cachoeira dinheiro e contribuições para campanhas eleitorais. Em troca, ofereceu facilidades nos negócios de loteria com o governo. O empresário do jogo gravou a conversa. A divulgação da fita foi o primeiro grande escândalo da era Lula.

O outro lado da corrupção. O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) conclui pesquisa e divulga que 14 milhões de brasileiros, o equivalente a 7,7% da população do país, vivem em ambiente de insegurança alimentar grave. O levantamento aponta que, considerados também os casos de insegurança alimentar leve e moderada, 72 milhões de brasileiros, ou 39,8% da nossa população, preocupam-se em algum grau com a falta de comida.

A segurança alimentar consiste no direito ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade e em quantidade suficiente. Um direito universal. A pesquisa revela: 10,3% dos brasileiros na faixa etária de zero a 17 anos estão submetidos à insegurança alimentar grave. Outro dado: metade dos meninos e meninas de até quatro anos de idade encontra-se em situação de risco alimentar leve, moderado ou grave. Há 1,5 milhão de crianças brasileiras submetidas à insegurança alimentar grave.

E mais: 52% das pessoas que sofrem com insegurança alimentar grave vivem no Nordeste do país, sendo que no Maranhão o problema afeta 18% da população. Em todo o Nordeste, 17% das crianças com menos de cinco anos estão em situação de insegurança alimentar grave. E, do total de 14 milhões de brasileiros que vivem essa realidade, 10 milhões, ou 72,4%, são negros ou mulatos.

Números da era Lula.

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