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Cronologia da Crise:

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20/05/2006

O ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, reuniu-se em segredo com o banqueiro Daniel Dantas. A notícia está em Veja. O grave é que Dantas acusou Bastos de ter dinheiro guardado no exterior, não declarado, conforme a revista mostrou na edição anterior. De acordo com o repórter Marcio Aith, “Bastos deveria esforçar-se para prender o banqueiro, e não se sentar à mesa com ele para tratar de negócios”.

Os dois teriam celebrado um pacto no meio da semana. Segundo o trato, o governo ficou de não pôr a Polícia Federal atrás de Dantas, enquanto o banqueiro se comprometeu a não fornecer dados que comprometessem autoridades brasileiras na CPI.

Bastos procurou neutralizar um dossiê de 41 páginas, com documentos sobre 27 supostas contas bancárias em paraísos fiscais, todas recheadas com dinheiro ilegal de próceres da República, inclusive de Lula. A revista sustenta que Dantas entregou o dossiê à reportagem. Ele nega. O material foi encaminhado por Veja ao procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza.

De acordo com a revista, Dantas pagou US$ 838 mil pelo dossiê a Frank Holder, o ex-diretor da agência de investigações Kroll. Pretendia usá-lo para fazer chantagem. Veja refere-se a uma ata com o resumo de uma conferência telefônica realizada em 10 de fevereiro de 2005, entre Dantas, assessores e diretores da Kroll. No documento, o banqueiro relata que o ex-ministro José Dirceu e membros do governo Lula não iriam prejudicar os interesses do Opportunity, desde que ficassem livres de investigações da Kroll.

Veja também recorre a matéria publicada pela revista Carta Capital. A publicação lembra que o senador Heráclito Fortes (PFL-PI), um aliado de Dantas, fez alusões a contas bancárias no exterior, durante o depoimento de Luiz Gushiken à CPI dos Correios, em setembro de 2005. Fortes discorreu sobre a Kroll para Gushiken:

– Não era uma característica da Kroll, no mundo inteiro, fazer gravações telefônicas, como se queria provar e mostrar. Mas, sim, fazer o rastreamento de contas e outras atividades.

O senador pontuou o que, no entender dele, estaria por trás do receio às atividades da agência de investigações:

– O medo da Kroll tem outro fundamento, senhor Gushiken, e a verdade vai chegar. É só questão de esperar, é só questão de tempo. Na verdade, o pavor que o governo tem da Kroll tem outro fundamento, e nós vamos chegar à verdade.

Parece claro que Fortes faz referência a somas de dinheiro de figurões, aplicadas indevidamente no exterior.

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