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Cronologia da Crise:

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3/05/2006

O garçom Anderson Ângelo Gonçalves, o Jack, presta depoimento à CPI dos Bingos. Ele menciona o nome do empresário angolano José Paulo Teixeira Figueiredo, no caso do assassinato de Antonio da Costa Santos, o Toninho do PT, ex-prefeito de Campinas (SP). Toninho foi morto a tiros em 10 de setembro de 2001. Figueiredo, empresário do jogo e apontado como dono de casas de bingo, é investigado por ligações com Antonio Palocci (PT-SP). Ele teria doado US$ 1 milhão para a campanha de Lula em 2002, conforme informações de Rogério Buratti.

Em depoimento fechado, Jack cita o ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos. Segundo o garçom, Bastos tentou convencê-lo a não testemunhar sobre o caso. Na época, o escritório de advocacia de Bastos prestava serviços à família de Toninho. Estranho. Jack relata que ouviu conversas entre Figueiredo e integrantes do PT no bingo Taquaral, em Campinas. O garçom trabalhava lá. Foram três reuniões, nos dias 3 e 6 de setembro de 2001, sempre de madrugada. Toninho foi morto quatro dias depois.

De acordo com Jack, o prefeito foi morto porque contrariou interesses de empresários do jogo. Ele ouviu Figueiredo tramar vingança contra Toninho. Estava inconformado por não obter licença de funcionamento para casas de bingo. O garçom diz que o PT montou uma operação para evitar o esclarecimento do crime. Afirma que Lauro Câmara Marcondes, militante do PT, participou das reuniões da madrugada. Ele se tornou secretário municipal em Campinas depois do assassinato de Toninho. Também esteve nos encontros um homem identificado como Andrezinho. Seria um traficante ao qual se teria atribuído a tarefa de executar o prefeito.

Sobre o envolvimento do ministro, Jack conta que manteve um encontro com Bastos, em meados de 2002. Diz ter recebido uma oferta de R$ 200 mil para não depor nem prestar esclarecimentos sobre o crime. Recebeu ameaças após se reunir com Bastos.

A Câmara dos Deputados absolve, em votação secreta, mais um acusado de envolvimento no escândalo do mensalão. Votam pela cassação do deputado Josias Gomes (PT-BA) 228 deputados, 29 a menos que os 257 votos necessários. Outros 190 absolvem o petista. Há ainda 19 abstenções, cinco votos em branco e um anulado. O Conselho de Ética condenara Gomes.

Acusado de receber R$ 100 mil de Marcos Valério, no primeiro momento Gomes negou ter posto a mão no dinheiro. Contou que foi ao Banco Rural apenas para obter informações sobre um empréstimo que desejava fazer. Depois confessou o saque. Esteve pessoalmente na agência e apresentou documento antes de fazer a retirada. Disse que não sabia a origem do dinheiro, cujo repasse foi autorizado por Delúbio Soares. Alega que usou a soma para quitar despesas de campanha eleitoral na Bahia. Para o deputado, o mensalão nunca existiu. Não passa de um factóide criado pela imprensa. Discursa Gomes:

– Refuto as acusações que me são impostas. Não sou corrupto. Jamais o serei.

Do relator do caso, o deputado Mendes Thames (PSDB-SP), para quem Gomes deveria ser cassado porque, entre outras coisas, efetuou o saque em 2003, ano em que não houve eleição:

– É fato. Recebeu valores provenientes do valerioduto.

Com nova formação, o Conselho de Ética absolve, por 8 votos a 5, o deputado Vadão Gomes (PP-SP). Ele foi acusado de receber R$ 3,7 milhões do valerioduto em 2004. Antes das mudanças no Conselho de Ética, o PT tinha apenas um voto no órgão. Agora, tem três. Os deputados Eduardo Valverde (PT-RO), Anselmo (PT-RO) e Neyde Aparecida (PT-GO) votam a favor de Vadão.

Advogados do deputado licenciado José Janene (PP-PR) protocolam ação no STF (Supremo Tribunal Federal). Querem a paralisação do processo disciplinar contra Janene no Conselho de Ética. Também solicitam autorização para que o deputado tenha direito a se aposentar por invalidez.

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