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Cronologia da Crise:

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6/06/2006

No editorial “Um ano depois”, o jornal Folha de S.Paulo menciona o período transcorrido desde a entrevista em que Roberto Jefferson denunciou o esquema do mensalão. O jornal alerta para a importância de se “impedir que o mensalão se torne apenas um episódio no rol de escândalos esquecidos da política nacional”:

“A ruína ética e o desmoronamento das cúpulas do PT e do governo Lula são itens de destaque no balanço da crise. A despeito disso, o lulismo agora patrocina uma campanha cujo objetivo é apagar, nos eleitores, a memória do que foi o escândalo de corrupção. A estratégia oportunista se vale dos altos índices de popularidade presidencial – ancorados em dinheiro transferido a famílias pobres e melhoras discretas no emprego – e aposta no desgaste que o tempo decorrido desde as primeiras denúncias emprestou ao tema.”

Relatório do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras, ligado ao Ministério da Fazenda) registra que a Red Star, empresa de comércio de brindes do PT ligada a Paulo Okamotto, fez movimentações bancárias de R$ 645 mil entre maio de 2002 e agosto de 2005, “sem indicação clara da finalidade”.

De acordo com o documento, a movimentação foi “incompatível com o patrimônio e a capacidade financeira presumida, além de não mostrar ser resultado de atividade ou negócios normais da empresa”. A CPI dos Bingos não quebrou o sigilo bancário da Red Star.

Pesquisa Ibope revela: 66% dos brasileiros de São Paulo acreditam que Lula tinha conhecimento dos casos de corrupção denunciados no escândalo do mensalão. E 23% dizem que Lula não sabia do esquema. Dos entrevistados, 31% acham que as denúncias contra o governo federal são totalmente verdadeiras. E 39% consideram-nas verdadeiras apenas em parte.

Depoimento fechado à CPI dos Bingos. O segurança Joacir das Neves afirma que a lavagem do dinheiro arrecadado em Santo André (SP) para abastecer o caixa 2 do PT era feita por João Arcanjo de Oliveira, o Comendador, apontado como chefe do crime organizado em Mato Grosso. Neves trabalhou para o Comendador.

Segundo Neves, os responsáveis pelo assassinato de Celso Daniel (PT) são pessoas do próprio grupo político do ex-prefeito, encarregadas por Daniel de extorquir empresas e desviar recursos para o PT. Daniel estaria resistindo ao desvio de dinheiro para atender a interesses particulares, uma espécie de caixa 2 do caixa 2.

Neves cita como envolvidos Sérgio Gomes da Silva, o Sombra, o ex-vereador Klinger Luiz de Oliveira (PT) e o empresário Ronan Maria Pinto. De acordo com Neves, Sombra procurou pistoleiros da favela Pantanal em São Paulo para matar Daniel, depois que José Jesus de Freitas, indicado pelo Comendador para assassinar Daniel, não aceitou a empreitada. Neves diz que Paulo Okamotto era interlocutor habitual do Comendador. Neves afirma ter ouvido falar que José Dirceu também manteve encontro com o Comendador.

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